| Recentemente,
relatei um evento em que apareceram apenas duas pessoas.
Pois o almoço da Viña Santa Ema foi programado
para 40 pessoas, o que já o qualificaria como um
super-almoço, e compareceram 66 convidados. O pessoal
do Mr. Lam teve de armar, às pressas, outras mesas
para acomodar a inaudita presença que fez desse evento
o maior almoço 0800 de que já tomei parte.
E pensam que o restaurante entrou em parafuso? De jeito
maneira! O serviço foi corretíssimo, bem cadenciado
e a super-lotação passou desapercebida pela
maior parte dos presentes. Por sinal, o cardápio
foi preparado pelo próprio Mr. Lam, que estava em
visita de supervisão à casa. Nada mal, não
é?
O
almoço-degustação foi conduzido por
Andrés Sanhueza, enólogo-chefe, que nos contou
a história dessa vinícola familiar, fundada
por imigrantes italianos do Piemonte.
Eu
confesso minha ignorância, pois só conhecia
da Santa Ema as linhas mais básicas e fui para o
almoço sem grandes expectativas. Mas fiquei bastante
impressionado com alguns dos rótulos que nos foram
apresentados. Iniciamos com dois brancos da linha Amplus:
o Amplus Sauvignon Blanc 2008, bem fresco e bem harmonizado
com os pratos monossilábicos da cozinha chinesa,
não foi exatamente o meu preferido. Mas o elegante
e untuoso Amplus Chardonnay 2007, com 10 meses de carvalho
francês bem integrado foi uma festa! Os deliciosos
aromas de mel, caramelo e frutas tropicais maduras inebriavam
o ambiente.
Trocando
para os tintos dessa mesma linha, o esquema se repetiu:
o Amplus One Carmenère 2006 não me entusiasmou
com seus toques vegetais, mas o Amplus Cabernet Sauvignon
2006 resgatou a honra da linha com aromas de frutas negras,
tostados e nozes que anunciavam uma boca cheia de fruta,
encorpada e bastante harmônica. Show de bola!
Mudando
de linha e de nível passamos para os dois rótulos
superiores da Santa Ema, para harmonizar com o famoso Pato
Laqueado do Mr. Lam. O primeiro deles, o Catalina 2005 é
um vinho que começou como um puro corte bordalês
(Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc), mas evoluiu
para a substituição da Merlot pela Carmenère,
para oferecer um toque mais chileno à mistura. Não
sei como era antes, mas a versão atual é arrebatadora,
com seus aromas de ameixas pretas e café, e uma boca
fresca e suculenta com profusão de especiarias. Tão
bom que faz até a gente esquecer do rótulo
de gosto duvidoso, em tecido bordado...
O
segundo acompanhante do pato foi um dos vinhos ícones
do Chile, o Rivalta 2007, corte com predominância
de Carmenère, junto com Cabernet Sauvignon e um pouco
de Syrah, do qual são produzidas apenas 7.000 garrafas.
Com aromas florais, de canela e frutas negras, e com uma
boca carnuda e saborosa, com muita fruta, perfeita integração
com a madeira, prolongava-se no paladar para acompanhar
o exótico pato. Um vinho que bem merece ser guardado
por mais alguns anos.
Vejam,
para quem começou a semana bebendo um vinho de 2.150
reais, o Rivalta por 490 reais pode até parecer uma
pechincha. Mas não é... 490 reais é
muito dinheiro! Nada a ver com a qualidade intrínseca
do vinho, que é excelente, porém que é
caro, é... Ou talvez seja eu que esteja ganhando
pouco.

O alto-comando do almoço

Andrés Sanhueza, enólogo-chefe da Santa Ema

Luis Fernando Jativa, diretor-geral da Vinoteca

Juarez Fernandes, diretor comercial da Vinoteca

Jaque Barroso, representante da Vinoteca no Rio de Janeiro

Fabiane Valle, comercial no Rio de Janeiro

Mário Marques, diretor de conteúdo do site
Wine Report

Jaque Barroso com a turma do Mr. Lam: Yann Lesaffre e o
sommelier Eder Heck
Fonte:
Oscar Daudt
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